Vou correndo, saltando cada pedra no caminho
Mas os grãos de areia vêm comigo
Emprestando-me cheiro a praia...
Oferecem-me raios de sol,
Pintam-me de verde e azul.
E vem outra vez aquela música
A que me transporta ao grande oceano
Cubro-me de algas e confundo-me com o mar
Vislumbrado ao longe, atrás da neblina
Imaginado e roubado aos sonhos.
Corro, desço a rua cheia de areia,
Chego à praia que é manhã
O sol é irís e as ondas são as lágrimas
indecisas, não sabem se hão-de ser a calma
ou o fervilhar turbulento.
Neste olhar, giro sobre mim mesma
até ter o som dos búzios dentro de mim
e correr, correr junto do som profundo.
Vou agora neste sentido sem sentido,
Há um lugar de onde partir,
Há um lugar onde chegar,
Sussurra baixinho, mas grita por dentro,
o Vento Norte chama por mim.
(comoção do público, a levesa, a mensagem, a luz mesmo em preto e branco, o vestidão do baixista, a dancinha desengonçada da platéia, Hippies em movimento, o choro da Gal, e a comoção. Boa musica, bom tempo, como queria ter presenciado essa época)õ/
Divino Maravilhoso
Gal Costa
Composição: Caetano Veloso/ Gilberto Gil
Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte .
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É preciso estar atento e forte_________
Quem quizer remar contra maré, tem que remar muito mais forte.
Não vá a guerra de pés descalços, não pise no tapete com essas botas imundas!
Novos Horizontes
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger
Corpos em movimento
Universo em expansão
O apartamento que era tão pequeno
Não acaba mais
Vamos dar um tempo
Não sei quem deu a sugestão
Aquele sentimento que era passageiro
Não acaba mais
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar
Novos horizontes
Se não for isso, o que será?
Quem constrói a ponte
Não conhece o lado de lá
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar
Suspender a queda livre
Libertar
O que não tem fim sempre acaba assim
Espantando os tic-tacs que formam um dia besta Você desperdiça e gasta as horas improvisadamente Chutando um pedaço de chão em sua cidade natal Esperando alguém ou algo para te mostrar o caminho
Cansado de jazer sob o sol De ficar em casa para ver a chuva Você é jovem e a vida é longa E há tempo para matar hoje E então um dia, você percebe que Dez anos ficaram para trás Ninguém te disse quando correr Você perdeu o tiro de partida
E você corre e corre para alcançar o sol Mas está se pondo E correndo, para nascer atrás de você novamente O sol é o mesmo de uma forma relativa Mas você é mais velho Com menos fôlego e um dia mais perto da morte
Cada ano está ficando mais curto Nunca parece encontrar tempo Planos que tampouco deram em nada Ou meia página de linhas rabiscadas Suportando em um desespero silencioso, é o jeito Inglês O tempo passou, a música acabou Pensei que teria algo mais a dizer
Casa, em casa novamente Eu gosto de estar aqui quando posso Quando chego em casa com frio e cansado É bom esquentar meus ossos ao lado do fogo Longe, além dos campos O badalar do sino de ferro Chama os fiéis de joelhos